sábado, 22 de novembro de 2008

Introdução

Muita gente ainda não entendeu o significado da globalização e erroneamente não se vê influenciado por ela. Mas a verdade é que a globalização influencia praticamente todos os aspectos das nossas vidas, nossos medos, nossos anseios, nossas reações diante das situações, a maneira como criamos nossos filhos, como adquirimos, interpretamos e passamos informações, o que tem impacto inevitável nas relações entre as pessoas. Embora a globalização esteja tão presente em nosso cotidiano, percebê-la como influência em nossas vidas depende, principalmente, da interpretação pessoal dos fatos e de um olhar mais crítico aos meios de comunicação.

 Olhar de fora a humanidade, pode revelar e esclarecer muitos aspectos importantes e até preocupantes a respeito de nós mesmos como sociedade evolutiva.

Relações Pessoais 

Conversas pessoais promovem laços emocionais duradouros e confiáveis, que criam lembranças e interferem na construção do caráter das pessoas. Relacionar-se pessoalmente e regularmente com parentes, amigos, colegas de trabalho e até desafetos é saudável e enriquecedor. As novas tecnologias de informação aproximam as pessoas no sentido de possibilitar o contato instantâneo a despeito da distância, através de voz, e-mails, mensagens instantâneas e até vídeos. A possibilidade de ir às comprar pela internet encanta muitas pessoas que preferem a facilidade de selecionar e receber em casa seus produtos, efetuando o pagamento pelo cartão de crédito. Tanta interatividade acaba por evitar algumas oportunidades de interação pessoal. Este cenário cria uma falsa proximidade entre as pessoas, que muitas vezes, por falta de tempo ou conveniência substituem o contato pessoal pelas conversas ao telefone, mensagens eletrônicas, salas de bate-papo e outros artifícios, criando relações superficiais.

Rotina doméstica da família

A necessidade de trabalhar mais, ser mais competitivo e ter sucesso na vida reduz o tempo de convívio de muitos pais com seus filhos, e dificulta o desempenho de muitas tarefas domésticas.

O resultado é que, hoje, o cotidiano da família se aproxima cada vez mais do ambiente do próprio trabalho. A primeira evidência é a repetição de alguns modelos de gestão empresarial levados para o ambiente do lar. As 

pessoas, como as empresas, passam a terceirizar de forma radical suas tarefas. As atividades domésticas e o transporte de filhos ou mesmo de parentes a passeios, a médicos ou a festas, por exemplo, há muito são contratadas nas classes econômicas com maior poder aquisitivo”, afirma o sociólogo Ricardo Antunes, pesquisador da Unicamp no artigo ”Mudanças geram impacto até nas relações pessoais” de Gabriela di Giulio (Ciência e Cultura, p. 14 - 14, 01 jul. 2004).

Os passos dos filhos seguem os passos dos pais e filhos que não vêem os pais executando tarefas domésticas, terão mais dificuldade em executá-las do que filhos acostumados desde cedo a ajudar seus pais nestas mesmas tarefas. Levar filhos na escola, fazer compras e passear com a família também melhoram a convivência, educam pais e filhos e renovam os laços familiares.

A Rotina profissional

Somente profissionais competitivos conseguem manter-se firmes e obter sucesso no mercado de trabalho, porém, a busca pela competitividade às vezes sobrepõe a ética, o profissionalismo e pode ferir as relações interpessoais. Este modelo global de profissional utiliza todos os recursos disponíveis para obter o sucesso tornando mais individualista e muitas vezes, esquecendo-se de respeitar o espaço e o trabalho dos outros.

“Agora, a competitividade toma o lugar da competição. A concorrência atual não é mais a velha concorrência, sobretudo porque chega eliminando toda forma de compaixão. A competitividade tem a guerra como norma. Há, a todo custo, que vencer o outro, esmagando-o, para tomar seu lugar.” (SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 15 ed. Editora Record. 2008).

  Conclusão

Às vezes é mais fácil falar com alguém que está longe, ao celular, ou internet, do que com o vizinho pessoalmente. A convivência entre as pessoas é um hábito saudável, que desenvolve, educa e prepara para a vida. As vantagens das tecnologias de informação são indiscutíveis, do ponto de vista da velocidade e praticidade da troca de informações. Tanta facilidade promove também uma homogenização das pessoas, agregando aspectos de outras culturas ao cotidiano das pessoas, seja pelos produtos importados, programas de tv internacionais, etc. A globalização leva à formação de padrões de relacionamento, de atitudes, de beleza, dentro das organizações familiares e profissionais, formais ou informais. Esses padrões refletem a sociedade, as células familiares. 

Os mesmos padrões promovem a discriminação daqueles que não se encaixam nos moldes da sociedade global, e ajudam a aumentar as desigualdades e a intolerância, aspectos que devem ser combatidos na célula familiar, com boas conversas entre pais e filhos, onde se criam os alicerces do caráter pessoal e da sociedade.

 

 

bibliografia

DI GIULIO, G. M. . Mudanças geram impacto até nas relações pessoais. Ciência e Cultura, p. 14 - 14, 01 jul. 2004.

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 15 ed. Editora Record. 2008